Auditoria como aliada no crescimento de pequenas e médias empresas


A auditoria deixou, há muito tempo, de ser exclusividade de grandes corporações e empresas com capital negociado em bolsa de valores. O principal objetivo da auditoria sempre foi emitir uma opinião sobre as demonstrações financeiras da companhia por meio de testes suportados pelas normas brasileiras de auditoria, avaliando se tais empresas estão de acordo com as normas e as práticas estabelecidas pela legislação. Entretanto, hoje em dia apenas emitir uma opinião fria não é o bastante.

Todo trabalho de auditoria deve ser acompanhado por uma carta à gerência ou relatório de recomendações, que trata de controles internos e tem o valor de uma consultoria, como uma visão independente, que auxilia a empresa a ser mais eficiente e mitigar os riscos corporativos.

Os procedimentos de auditoria para chegar a esses objetivos são análises de evidências a respeito de fatos, valores e divulgações apresentadas nas demonstrações financeiras. Frequentemente, iniciam-se tais procedimentos com a análise dos controles internos da empresa auditada, com intuito de avaliar a confiabilidade do fluxo de informações geradas para contabilidade.

Como produto desses procedimentos, são disponibilizados os relatórios de recomendações, contendo sugestões para regularização e aprimoramento das deficiências de controles internos identificadas, bem como os riscos envolvidos. Não são identificados apenas erros ou exceções, mas também uma forma de tornar o sistema operacional da empresa mais competente, eliminando custos desnecessários com controles dispensáveis e ineficazes.

Isto quer dizer que, em todo trabalho de auditoria contratado para emissão da opinião independente, uma empresa está, indiretamente, submetendo seus principais ciclos operacionais a uma análise crítica profunda. Ainda há uma grande resistência por parte de pequenas e médias empresas para se contratar uma empresa de auditoria independente para avaliar suas demonstrações financeiras, principalmente pelo valor do investimento.

Percebemos que os gestores destas empresas ignoram as falhas de controle interno existentes em seu fluxo operacional. Portanto, não consideram os benefícios oriundos da realização de uma boa auditoria independente. Auditoria que, além de permitir mais transparência na divulgação das demonstrações financeiras, proporciona uma melhoria considerável na governança corporativa, com enriquecimento na qualidade das informações recebidas pela alta gestão da empresa auditada.

A auditoria também favorece a empresa auditada pelo fato de trazer uma visão externa sobre o setor que essa empresa está inserida, podendo antecipar a exposição ao risco da companhia pelo modelo de seu negócio, seja em virtude da estrutura corporativa e da alavancagem ou devido ao perfil dos executivos.

Quanto maior o nível de monitoramento do ambiente corporativo de uma determinada empresa, menor será a propensão da ocorrência de irregularidades. Apesar da realização periódica de auditoria independente sobre os sistemas de controle interno não se constituir como uma garantia de inexistência de desvios intencionais, a sua execução inibe e desestimula tal prática.

A administração das empresas de pequeno e médio porte tem de entender que o auditor independente não tem como objetivo a identificação de fraudes e quaisquer outros tipos de irregularidades semelhantes (para isso, trabalhos direcionados e pontuais devem ser estabelecidos). O resultado do seu trabalho melhora a eficiência operacional da empresa auditada, proporcionando um aperfeiçoamento dos controles internos dos seus principais ciclos operacionais.

A implantação de uma cultura de controle interno, por parte das pequenas e médias empresas brasileiras, baseada na realização periódica de auditoria independente sobre os seus sistemas de controle interno, proporcionará uma maior transparência, segurança e uma melhor qualidade da informação para a sua direção, seus sócios, possíveis compradores, bancos e outros.

Segundo estudo da International Shareholder Services, as empresas cujos procedimentos correspondem ao mais alto grau de governança, conquistaram margens líquidas de lucro 21,66% acima da média de seu segmento, o que afasta de vez o “fantasma” de uma auditoria ser um alto investimento sem retorno.

*Fernandes Souza é sócio em Manaus da BDO, uma das Big 5 do setor de auditoria e consultoria

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A BDO no Brasil integra o seleto grupo mundial das Big 5. A empresa agrega um conjunto de soluções que contempla valuation, apoio em fusões e aquisições, auditoria contábil, consultoria em gestão, corporate finance, viabilidade econômica de projetos e negócios, análise de lucratividade, reestruturação financeira, governança corporativa, controladoria, planejamento tributário, recursos humanos, sucessão familiar, consultoria trabalhista e jurídica.
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